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Lançai a Rede

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  E ele lhes disse: Lançai a rede para o lado direito do barco, e achareis. Lançaram-na, pois, e já não a podiam tirar, pela multidão dos peixes. João 21:6 AS REDES QUE LANÇAMOS Há uma imagem antiga que a civilização insiste em esquecer, embora a repita todos os dias sem perceber que a repete: a do pescador que, ao amanhecer, lança sua rede sobre a água escura, sem saber exatamente o que encontrará, mas confiando que o gesto, se repetido com paciência suficiente, há de trazer algo à superfície. O pescador não vê o que está lá embaixo. Ele apenas lança, espera, recolhe. E é justamente essa cegueira parcial, esse não saber o que a água esconde, que transforma cada lançamento em ato de fé disfarçado de trabalho. Nós, homens e mulheres do tempo presente, já não lançamos redes sobre rios ou mares. Lançamo-las sobre o próprio tempo. Todos os dias, de manhã, antes mesmo de abrirmos os olhos por inteiro, alguma parte de nós já está estendendo o fio invisível sobre as águas do dia que se i...

Renovo e Busca pela Edificação na Rocha

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O texto abaixo nasceu de uma reflexão que me veio ao espírito hoje em nossa Celebração de "21 da Renovo". Aí ouvirmos o testemunho de vários irmãos,os quais, voluntariamente compartilharam suas experiências na Comunidade, pude através do conteúdo de cada fala, construir um pensamento sobre a  Renovo e sua busca pela Edificação como Igreja.  Desde já sou grato a Deus pela Igreja da qual faço parte e pela misericórdia posso pastorear juntamente com minha esposa Sirlei Bonani. Segue o texto:   Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha;E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha.E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia;E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu...

MANIFESTO HISTÓRICO PELO RETORNO ÀS BASES. A reconstrução espiritual do movimento evangélico

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“Lembra-te, pois, de onde caíste; arrepende-te e volta às práticas que tinhas no princípio.” Apocalipse 2:5 1. Prefácio: O tempo da confusão exige o tempo da coragem Vivemos um momento em que o movimento evangélico — especialmente o pentecostal e o neopentecostal — parece ter perdido o eixo que outrora o tornava uma força de renovação espiritual, ética e comunitária. O que antes era fogo, tornou-se fumaça. O que antes era simplicidade, tornou-se espetáculo. O que antes era comunidade, tornou-se mercado. Este manifesto nasce da convicção de que não é possível salvar o edifício sem retornar ao alicerce. E nasce também da  forma de pensar estruturada nas Escrituras e na história da Igreja, que traz reflexão: crítica sem ser destrutiva, histórica sem ser nostálgica, teológica sem ser dogmática, simbólica sem ser abstrata. É um manifesto que olha para trás não para voltar, mas para recuperar o que foi perdido. 2. O diagnóstico: quando a fé se torna produto, o rebanho se dispersa O movim...

Você sabia que alguns buracos negros são, em média, menos densos que o ar que você respira? Sim ou não?

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O objeto mais denso do universo, na sua versão mais extrema, pode ser mais rarefeito que o ar da sala onde você está agora. Isso não é uma contradição — é matemática pura. Nossa intuição sobre buracos negros vem carregada de uma imagem específica: um objeto de densidade absurda, onde toda a matéria está comprimida num ponto quase infinitamente pequeno. Essa intuição está correta para a singularidade no centro — mas está completamente errada quando aplicada ao buraco negro como um todo, medido pelo seu horizonte de eventos. A densidade média de um buraco negro, calculada da forma convencional — massa dividida pelo volume delimitado pelo horizonte de eventos —, depende de uma relação matemática reveladora entre duas variáveis que crescem em ritmos completamente diferentes. O raio do horizonte de eventos, conhecido como raio de Schwarzschild, cresce de forma linear com a massa: dobre a massa, e o raio dobra também. Mas o volume de uma esfera cresce com o cubo do raio. Isso significa que, ...

O juízo como confissão

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Toda opinião nasce suja. Não o digo como acusação, mas como diagnóstico, pois nenhuma consciência julga a partir do nada, ex nihilo, como um deus que contempla o mundo pela primeira vez e o nomeia. Julgamos sempre a partir de um lugar, e esse lugar tem endereço, tem cicatriz, tem uma infância que ainda não terminou de acontecer dentro de nós. Quando Nietzsche insistia que não há fatos, apenas interpretações, ele não estava apenas relativizando o conhecimento, estava também revelando uma anatomia, a de que todo olhar carrega um corpo atrás de si, e todo corpo carrega uma história que não escolheu. É por isso que julgar o outro é, antes de tudo, trair a si mesmo. Quando dizemos que alguém é frio, talvez estejamos confessando o abandono que sofremos e nunca perdoamos. Quando dizemos que alguém é ingênuo, talvez estejamos confessando a desilusão que nos ensinaram a chamar de maturidade. O julgamento aponta um dedo para fora, mas o dedo nasce de uma mão que é nossa, e a mão pertence a um br...

A PRUDÊNCIA QUE USAM PARA COMPRAR UM CELULAR, MAS ESQUECEM AO ESCOLHER QUEM ENTRARÁ EM SUAS VIDAS

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  Existe um paradoxo silencioso que atravessa a vida contemporânea e que, por ser tão comum, raramente é percebido. As pessoas tornaram-se extraordinariamente criteriosas para adquirir objetos e assustadoramente descuidadas ao permitir que outras pessoas habitem sua existência. Passam semanas comparando modelos de automóveis, meses pesquisando um computador, dias inteiros assistindo a análises antes de comprar um simples telefone celular. Leem avaliações, verificam especificações técnicas, desconfiam de ofertas excessivamente vantajosas, investigam a reputação do fabricante, calculam o custo-benefício e perguntam a desconhecidos na internet se vale a pena realizar aquela compra. No entanto, quando se trata de alguém que poderá compartilhar seus dias, influenciar seus pensamentos, alterar sua paz e, não raramente, determinar a qualidade dos próximos anos de sua existência, toda essa disciplina intelectual parece evaporar. Bastam algumas conversas agradáveis, alguns gestos bem execut...

Dignidade: Valor Inegociavel

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  Há coisas que o mundo pode nos tirar: dinheiro, lugar, prestígio, segurança, aplauso. Pode desfazer planos, interromper caminhos e nos deixar diante de um silêncio que não sabemos atravessar. Mas existe algo que ninguém deveria poder arrancar de nós: a dignidade. Dignidade não é orgulho nem superioridade. É aquele lugar silencioso dentro de nós onde a vida ainda merece respeito, mesmo quando estamos feridos ou sozinhos. É a certeza de que o nosso valor não começa no olhar do outro. Não depende de sermos escolhidos, reconhecidos, amados ou compreendidos. Talvez seja esse o sentido mais profundo daquela bela canção de George Benson sobre o maior amor: existe um amor que precisamos encontrar em nós, não como egoísmo, mas como fundamento. Quem não reconhece a própria dignidade pode aceitar migalhas como afeto, humilhações como destino e silêncios violentos como paz. Amar a si mesmo é recusar o abandono de si. É poder dizer: eu também mereço cuidado. É não diminuir para caber no desej...