O fio estreito que separa o ser do nada.
"...testemunhando juntamente a sua consciência e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os" . Romanos 2:15 Tornar-se consciente de si mesmo, este é, talvez, o mais sublime e o mais trágico dos destinos reservados ao ser humano. Pois não há dor mais aguda que a de ver-se nu diante do espelho do próprio espírito, despojado de ilusões, sem máscaras que suavizem a verdade, sem véus que ocultem o abismo que habita sob a superfície do cotidiano. Os animais vivem, e vivem sem que a própria vida se lhes apresente como problema. O ser humano, porém, sabe que vive, e é nesse saber, e não na vida em si, que reside seu suplício. Não lhe basta existir como folha ao vento ou pedra na montanha, entregue ao curso das coisas sem jamais perguntar por ele. O homem pensa, recorda, projeta. Interroga-se, julga-se, nega-se, e às vezes se odeia pelo que descobre. A consciência é uma lâmina que corta para dentro, é a luz que ilumina, mas também a que queima, é o dom funesto de ver...