É mais fácil ser súdito do que cidadão.
O discurso popular costuma repetir que “o povo é oprimido pelos poderosos”. Mas essa afirmação, embora confortável, ignora uma realidade mais incômoda: a maioria das pessoas não apenas tolera a dominação, ela a deseja. A história não é feita apenas por tiranos, mas por massas covardes que, ao invés de lutar por autonomia, preferem entregar sua liberdade em troca de promessas fáceis. Como nos adverte Maquiavel, o povo quer apenas “não ser oprimido”, e nunca assumir o fardo de pensar, escolher e agir por si mesmo. O problema não está apenas na elite que governa, mas no povo que implora por um governante que pense e decida por ele. O povo é escravo, antes de tudo, por escolha. Deseja ser conduzido, ter um salvador da pátria, um “pai” que resolva os problemas enquanto permanece infantilizado e irresponsável. Essa abdicação da autonomia gera o que Maquiavel descreve como uma sociedade baseada nas aparências, onde o governante precisa apenas parecer virtuoso para manter as massas dócei...