Salazar: A lenda e o homem real
ALAZAR NÃO MORREU POBRE: E ISSO NÃO É UM PORMENOR Há mitos que sobrevivem porque são confortáveis. O de D. Sebastião sobrevive porque alimenta a esperança. O de Robin dos Bosques porque consola os desfavorecidos. E o de António de Oliveira Salazar porque oferece aos seus admiradores uma espécie de superioridade moral retrospetiva: sim, foi ditador, dizem alguns, mas ao menos não roubou; sim, governou durante décadas sem eleições livres, mas morreu pobre; sim, concentrou um poder sem paralelo na história portuguesa contemporânea, mas nunca se aproveitou dele para enriquecer. O problema dos mitos é a sua irritante tendência para se chocarem com os factos. Um extenso trabalho de investigação do jornalista Marco Alves, publicado na revista "Sábado" (n.º 1160, de 22 a 28 de julho de 2026), veio reunir um conjunto impressionante de informações sobre a situação patrimonial do antigo presidente do Conselho. E aquilo que emerge não é a figura de um milionário extravagante nem a de u...