Muhammad Ali e o Nocaute da Empatia
"O instante em que Muhammad Ali parou de lutar - 15 de março de 1974 - no Auditório Olímpico de Los Angeles e o mundo ficou em silêncio. O lugar estava lotado. A multidão gritava o nome de Ali. Ele acabara de vencer Joe Frazier e seguia sendo a maior figura do boxe mundial. À sua frente estava Bobby Mitchell, 23 anos, forte, determinado, com tudo a ganhar e nada a perder. Para o público, era apenas mais uma luta. Para Bobby, não. Três semanas antes, seu pai havia sido diagnosticado com câncer de pulmão em estágio terminal. Os médicos foram claros: sem um tratamento experimental na Clínica Mayo, não havia esperança. O problema era o dinheiro. Muito dinheiro. Exatamente 50 mil dólares. O prêmio daquela luta. Bobby não contou a ninguém. Nem aos comentaristas. Nem aos treinadores. Nem sequer à esposa. Subiu ao ringue com esse peso escondido sob as luvas. Não lutava por um título. Lutava por tempo. Por meses de vida para o pai. Desde o primeiro assalto, algo estava diferente. Bobby a...