A FALSIDADE HUMANA
Há uma mentira que atravessa os séculos com a mesma persistência das pragas e das guerras: a mentira de que os homens desejam a verdade. Não desejam. Admitem-na apenas enquanto ela lhes serve. Procuram-na enquanto imaginam que ela confirmará aquilo que já pensam. Reverenciam-na enquanto ela não exige nenhum sacrifício. Mas basta que a verdade ameace uma conveniência, uma vaidade ou uma imagem cuidadosamente construída, e aquilo que chamavam de amor à verdade revela-se apenas amor a si mesmos. O homem é talvez a única criatura capaz de fabricar máscaras e depois esquecer que as fabricou. Não mente apenas aos outros. Isso seria simples demais. Mente principalmente a si próprio. Constrói uma narrativa confortável sobre quem é, repete-a durante anos e termina por acreditar nela com a fé de um fanático religioso. Chama egoísmo de amor-próprio, covardia de prudência, inveja de senso de justiça, ressentimento de consciência moral. E quanto mais refinada é a inteligência, mais sofisticad...