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A FALSIDADE HUMANA

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  Há uma mentira que atravessa os séculos com a mesma persistência das pragas e das guerras: a mentira de que os homens desejam a verdade. Não desejam. Admitem-na apenas enquanto ela lhes serve. Procuram-na enquanto imaginam que ela confirmará aquilo que já pensam. Reverenciam-na enquanto ela não exige nenhum sacrifício. Mas basta que a verdade ameace uma conveniência, uma vaidade ou uma imagem cuidadosamente construída, e aquilo que chamavam de amor à verdade revela-se apenas amor a si mesmos. O homem é talvez a única criatura capaz de fabricar máscaras e depois esquecer que as fabricou. Não mente apenas aos outros. Isso seria simples demais. Mente principalmente a si próprio. Constrói uma narrativa confortável sobre quem é, repete-a durante anos e termina por acreditar nela com a fé de um fanático religioso. Chama egoísmo de amor-próprio, covardia de prudência, inveja de senso de justiça, ressentimento de consciência moral. E quanto mais refinada é a inteligência, mais sofisticad...

É mais fácil ser súdito do que cidadão.

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  O discurso popular costuma repetir que “o povo é oprimido pelos poderosos”. Mas essa afirmação, embora confortável, ignora uma realidade mais incômoda: a maioria das pessoas não apenas tolera a dominação, ela a deseja. A história não é feita apenas por tiranos, mas por massas covardes que, ao invés de lutar por autonomia, preferem entregar sua liberdade em troca de promessas fáceis. Como nos adverte Maquiavel, o povo quer apenas “não ser oprimido”, e nunca assumir o fardo de pensar, escolher e agir por si mesmo. O problema não está apenas na elite que governa, mas no povo que implora por um governante que pense e decida por ele. O povo é escravo, antes de tudo, por escolha. Deseja ser conduzido, ter um salvador da pátria, um “pai” que resolva os problemas enquanto permanece infantilizado e irresponsável. Essa abdicação da autonomia gera o que Maquiavel descreve como uma sociedade baseada nas aparências, onde o governante precisa apenas parecer virtuoso para manter as massas dócei...

O QUE É A MEMÓRIA?

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A pergunta parece simples, mas apenas porque nos habituámos a conviver com o mistério sem o interrogar. Conheço uma resposta possível, embora suspeite que ela seja insuficiente. A memória é caminhar por corredores que já não existem, é escutar vozes que o mundo extinguiu e que, no entanto, continuam a falar dentro de nós com uma nitidez desconcertante. É descobrir que o passado não passou, apenas mudou de morada. É encontrar, numa tarde qualquer, o perfume de uma casa demolida há décadas. É recordar o rosto de alguém com mais precisão do que recordamos a nós mesmos. É a persistência do ausente. É abrir um livro e encontrar entre as páginas uma versão antiga de si mesmo, um estranho que usava o seu nome e acreditava em coisas que já não acredita. É perceber que os mortos continuam vivendo em nós através de gestos involuntários, de expressões herdadas, de medos cuja origem esquecemos. É carregar um cemitério invisível sob a pele. A memória é também uma forma peculiar de exílio. Porque aq...

O PALCO PREFERIDO DA IGNORÂNCIA É A CONVICÇÃO

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Existe uma imagem profundamente equivocada que a maioria das pessoas conserva acerca da ignorância. Imagina-se que ela habite a hesitação, a dúvida, a incerteza do espírito que tateia no escuro. Imagina-se que o ignorante seja aquele que confessa não saber, que admite a insuficiência do próprio entendimento, que se vê obrigado a perguntar. Mas a realidade é quase sempre a inversa. A ignorância raramente se apresenta com o rosto da dúvida. O seu disfarce favorito é a certeza. Sócrates compreendeu isso há mais de dois milênios, quando declarou que sua sabedoria consistia apenas em saber que nada sabia. A frase tornou-se tão repetida que perdeu o seu escândalo original. Porque aquilo que Sócrates descobriu não foi a vastidão da ignorância humana, mas algo muito mais perturbador: que o verdadeiro obstáculo ao conhecimento não é a ausência de respostas, mas a ilusão de já possuí-las. A dúvida é humilde. A convicção, não raro, é arrogante. Quem duvida continua procurando. Quem está convencid...

Jesus e o Ambiente da Casa como Igreja

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  “Partiam o pão de casa em casa.” (At 2:46) “A Igreja que está na casa de Priscila e Áquila.” (Rm 16:5) "Saudai aos irmãos que estão em Laodiceia e a Ninfa e à igreja que está em sua casa." (Colossenses 4:15) Discorrer sobre o ministério de Jesus nas casas no, pode nos dar uma ideia do modelo de Igreja que posteriormente ele iria implantar como expressão do Reino de Deus na Terra.  Resinificar esse modelo, pode nos levar a reproduzir o ambiente de Igreja que Ele pensou! O ministério de Jesus nas casas não foi um detalhe secundário — foi um dos eixos centrais da forma como Ele escolheu revelar o Reino de Deus. E quando observamos esse padrão, percebemos que Ele estava modelando um tipo de Igreja muito mais relacional, próxima, transformadora e cotidiana do que institucional. É possível trazer para os nossos dias esse padrão de Igreja Casa? A seguir, desenvolvo essa ideia de forma estruturada, profunda e conectada com a prática pastoral e eclesiológica  que tenho vivido ...

O SECRETO DA ORAÇÃO. (Desafio. Atitude. Resultado)

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  A exegese de Mateus 6:6 ( "Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará" ) revela que o ensinamento de Jesus vai muito além de um espaço físico: trata-se de um manifesto contra a hipocrisia e um convite à intimidade radical e à pureza de intenção.  O Contexto Histórico e Cultural No Sermão da Montanha, Jesus contrasta a verdadeira piedade com as práticas dos religiosos da época (os fariseus e hipócritas).  O problema: Era comum que indivíduos orassem de pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas principais. O objetivo era puramente ostensivo: ser visto, admirado e considerado santo pela sociedade.  A crítica: Jesus afirma que estes já receberam a sua recompensa (o aplauso humano). A oração deles não subia a Deus porque o "deus" daquela oração era o próprio ego do orador.  Análise de Termos-Chave (Filologia Grega) Para compreender a profundidade do versículo, é ...

Uma Xícara de Chá pode Mudar Tudo

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Durante quase meio século, ele observou pessoas caminharem até a beira de um penhasco para encerrar suas próprias vidas. E, quase todos os dias, fazia exatamente a mesma coisa. Saía de casa. Atravessava a rua. E fazia uma pergunta simples: — Gostaria de tomar uma xícara de chá? Seu nome era Don Ritchie. Ele morava em frente ao The Gap, um famoso penhasco na entrada do porto de Sydney, na Austrália. O lugar atraía turistas do mundo inteiro por suas paisagens deslumbrantes. Mas também era conhecido por outro motivo muito mais triste. Muitas pessoas iam até lá para tirar a própria vida. Quando se mudou para a região, em 1964, Don começou a notar um padrão. Pessoas sozinhas permaneciam próximas à borda, olhando para o oceano por longos períodos. Algo na expressão delas chamava sua atenção. Enquanto a maioria passava sem perceber, Don escolhia se aproximar. Ele não era psicólogo. Não tinha treinamento especializado. Não carregava respostas prontas. Apenas acreditava que ninguém deveria enfr...