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Não Vemos o Mundo Como Ele É, Vemos Como Somos

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  Pensa num filtro do Instagram. Você tira foto do céu azul, mas coloca um filtro vermelho. Aí você mostra e fala: "Olha, o céu está vermelho! Eu vi, eu fotografei, eu provei!" A outra pessoa vai brigar com você sobre o céu. O Jung entra e fala: "Calma. A pergunta não é se o céu está vermelho. A pergunta é: quem colocou o filtro?" Todo mundo anda com um filtro invisível dentro da cabeça. Esse filtro é sua história, seu medo, sua sombra, sua personalidade.- Duas pessoas veem a mesma briga. Uma vê "injustiça". Outra vê "mimimi". O que mudou? O que foi visto ou QUEM viu?- Duas pessoas ouvem a mesma música. Uma chora. Outra ri. Então não adianta discutir o que foi visto, ouvido, pesado e contado. Tem que perguntar primeiro: quem é essa pessoa que está vendo, ouvindo e pensando? Porque a gente nunca vê o mundo como ele é. A gente vê o mundo como a gente é. Imagina 3 crianças vendo o mesmo cachorro na rua. O cachorro só está ali, balançando o rabo. Cri...

Exemplo Extraordinário de Persistência

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  Depois de quase 28 anos percorrendo o planeta, o aventureiro britânico Karl Bushby está cada vez mais perto de concluir uma das jornadas mais impressionantes da história. Tudo começou em 1º de novembro de 1998, quando Bushby, então com 29 anos, deixou Punta Arenas, no extremo sul do Chile, com um objetivo extraordinário: chegar caminhando até a casa de sua mãe, em Hull, na Inglaterra, sem utilizar meios de transporte para avançar por terra. Batizada de Goliath Expedition, a aventura já ultrapassou 50 mil quilômetros e levou o ex-paraquedista por dezenas de países, enfrentando condições extremas, dificuldades financeiras, problemas com vistos e obstáculos naturais que pareciam impossíveis de superar. Ao longo do percurso, ele atravessou a perigosa região de Darién, entre a Colômbia e o Panamá, enfrentou o gelo do Estreito de Bering, entre a Rússia e o Alasca, e chegou a atravessar parte do Mar Cáspio a nado, superando desafios que exigiram anos de planejamento e resistência física...

Ideia que começa no silêncio de uma madrugada

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  Às duas da madrugada de 31 de outubro de 1920, um jovem médico canadense acordou com uma ideia na cabeça. Frederick Banting tinha 28 anos. Naquela época, atendia poucos pacientes em seu consultório em London, Ontário, e complementava a renda dando aulas. Naquela noite, preparava uma aula sobre o pâncreas quando teve uma ideia que parecia improvável. Ele se levantou e escreveu algumas palavras em uma pequena caderneta. Entre elas: “Diabetes. Ligue os ductos pancreáticos de um cão…” Havia erros de ortografia. Mas aquela anotação apressada acabaria dando início a uma das maiores revoluções da história da medicina. Há anos os cientistas suspeitavam de que o pâncreas produzia alguma substância capaz de controlar o açúcar no sangue. O problema era descobrir como isolá-la. Banting havia lido sobre pacientes cujos ductos pancreáticos estavam bloqueados. Quando isso acontecia, boa parte do tecido responsável pelas enzimas digestivas se deteriorava, enquanto os pequenos agrupamentos de cél...

Quais são os interesses das Grandes Potências?

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  "As nações não têm amigos permanentes nem inimigos permanentes. Têm apenas interesses permanentes." Lord  Palmerston (estadista britânico do século XIX) "A política internacional é uma luta pelo poder. Os Estados agem principalmente para proteger e ampliar os seus interesses nacionais, mesmo quando apresentam as suas ações em linguagem moral ou idealista." Esta ideia ajuda a olhar para os EUA, China, Rússia, Reino Unido ou qualquer outra potência sem romantismos. A pergunta deixa de ser "são bons ou maus?" e passa a ser "quais são os seus interesses?". Outro autor que provavelmente encaixa ainda mais na tua intuição é John Mearsheimer : "As grandes potências estão condenadas pela própria estrutura do sistema internacional a procurar maximizar o seu poder e influência." Segundo Mearsheimer, se os EUA tentam manter uma influência dominante nas Américas, isso não é uma anomalia nem uma conspiração. É precisamente o comportamento esperad...

Senhor,abra os olhos do rei da Inglaterra!

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  William Tyndale foi um importante estudioso e reformador inglês, conhecido por seu papel fundamental na tradução da Bíblia para o inglês. Nascido por volta de 1494, ele foi educado nas universidades de Oxford e Cambridge. A principal contribuição de Tyndale para a história da Reforma Protestante foi a tradução do Novo Testamento diretamente do grego para o inglês, em uma época em que o uso das Escrituras na língua vernácula era fortemente combatido pela igreja papista romana. Sua tradução do Novo Testamento foi a primeira a ser impressa em inglês, em 1526. Tyndale tinha o desejo de que as pessoas comuns pudessem ler a Bíblia em sua própria língua. Esse esforço o colocou em conflito com a hierarquia da Igreja e com o rei Henrique VIII, que na época ainda era um defensor do papismo. Perseguido pelas autoridades inglesas e pela Igreja, Tyndale fugiu para a Europa continental, onde continuou a trabalhar em suas traduções e escritos teológicos. Ele foi capturado em 1535, na cidade de ...

A Procura de um Candidato Digno da Confiança Pública

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  Vivemos tempos em que a confiança dos cidadãos na política parece estar cada vez mais fragilizada. Escândalos, casos de corrupção, promessas não cumpridas e interesses particulares mascarados de serviço público contribuem para um sentimento de desilusão generalizada. Muitas vezes, perante tantos exemplos negativos, surge uma pergunta legítima: ainda existem candidatos verdadeiramente comprometidos com o bem comum? A resposta talvez não esteja em procurar um candidato perfeito. A perfeição não pertence à condição humana. O desafio consiste em identificar aqueles cuja trajetória revela honestidade, competência e respeito pelos cidadãos. Um candidato merecedor da confiança pública distingue-se, antes de mais, pela sua integridade. Não se trata apenas de evitar comportamentos ilegais, mas de agir com retidão mesmo quando ninguém está a observar. A integridade manifesta-se na coerência entre palavras e ações, entre o discurso eleitoral e a prática quotidiana. Igualmente importante é a...

DA MODA, OU A ARTE DE NÃO AMAR COISA ALGUMA

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Há uma pequena construção da língua portuguesa que contém, inteira, a metafísica do nosso tempo. Diz-se: "neste inverno usa-se o cinza". Usa-se. Quem usa? A gramática responde com uma honestidade que os costureiros não têm: ninguém. O sujeito é indeterminado, dissolvido na partícula como o açúcar no chá. Não é você que usa o cinza, nem eu, nem a mulher elegante que atravessa a avenida, é o "se", essa entidade sem rosto, sem corpo e sem desejo, que veste a todos e não é vestida por ninguém. Heidegger chamou-a de das Man, a gente, o impessoal, aquele que pensa o que se pensa, lê o que se lê, indigna-se com o que causa indignação e, naturalmente, usa o que se usa. A moda é o guarda-roupa do impessoal. E quem confia ao impessoal a escolha daquilo que lhe toca a pele já confessou, antes de qualquer outra coisa, que não gosta de nada. A tese parece cruel, e é. Mas peço ao leitor que a examine antes de recusá-la, porque a crueldade, às vezes, é apenas a precisão vista de p...