Controle da Velocidade da Luz
Uma cientista dinamarquesa conseguiu fazer algo que parecia impossível: reduzir a velocidade da luz até que ela se propagasse mais lentamente do que um carro em movimento. Anos depois, foi ainda mais longe e demonstrou que era possível interromper um pulso luminoso e recuperar sua informação posteriormente.
A responsável pela descoberta foi Lene Vestergaard Hau, física da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, que realizou um experimento revolucionário em 1999.
Normalmente, a luz viaja no vácuo a aproximadamente 300 mil quilômetros por segundo, velocidade suficiente para dar mais de sete voltas ao redor da Terra em apenas um segundo.
Mas Hau e sua equipe conseguiram reduzir a propagação de pulsos luminosos a cerca de 61 quilômetros por hora, uma velocidade comparável à de um automóvel.
Para alcançar esse resultado, os pesquisadores resfriaram átomos de sódio até temperaturas extremamente próximas do zero absoluto, criando um estado especial da matéria chamado condensado de Bose-Einstein.
Ao atravessar essa nuvem de átomos ultrafrios, a luz passou a se propagar de maneira extraordinariamente lenta, graças à interação controlada entre os átomos e os campos luminosos.
O feito já era impressionante, mas a equipe continuou avançando.
Em 2001, os cientistas demonstraram que podiam interromper efetivamente um pulso de luz, armazenando suas informações no estado quântico dos átomos. Depois, utilizando outro feixe luminoso, conseguiram recuperar essas informações e fazer um novo pulso de luz se propagar.
Em 2007, realizaram uma experiência ainda mais sofisticada, transferindo informações de um pulso luminoso entre duas nuvens de átomos separadas, antes de reconstruí-lo.
É importante destacar que esses experimentos não alteraram a velocidade fundamental da luz no vácuo. O que os pesquisadores conseguiram controlar foi a propagação dos pulsos luminosos em um meio especialmente preparado.
As descobertas abriram possibilidades para futuras tecnologias de comunicação quântica, armazenamento de informações e processamento de dados.
O trabalho de Lene Hau mostrou que até mesmo um fenômeno tão rápido quanto a luz pode ter sua propagação manipulada em condições cuidadosamente controladas.
300se tornou realidade dentro de um laboratório: a luz foi desacelerada até a velocidade de um carro, e sua informação pôde ser armazenada e recuperada.
Fonte: Nature, "Light speed reduction to 17 metres per second in an ultracold atomic gas" (1999). DOI: 10.1038/17561.
Subscrito
Bonani

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