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A SOLIDÃO ACOMPANHADA(Quem não sabe estar consigo não sabe estar com ninguém)

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  A SOLIDÃO ACOMPANHADA Há uma solidão que se conhece pelo silêncio, pela ausência de vozes e pelo vazio das cadeiras. Essa solidão é honesta. Ela não dissimula, não promete o que não pode dar, não estende a mão apenas para a retirar. Quem a conhece sabe ao menos onde está: do lado de fora, olhando para dentro, sem ilusão de entrada. Mas existe uma outra forma, e esta é a que verdadeiramente destrói. É a solidão que se faz dentro de um abraço, que cresce em silêncio no meio de uma conversa, que floresce com toda a sua crueldade precisamente no momento em que alguém nos sorri. Essa solidão não avisa. Instala-se como inquilino ilegal numa casa que julgávamos habitada, e só a percebemos quando já ocupou todos os cômodos. Confundimos, há muito, a presença com a pessoa. Pensamos que o antídoto da solidão é alguém, um corpo próximo, um nome a pronunciar, uma voz que responde. E assim enchemos as nossas horas com companhia como quem enche um copo com água turva, acreditando que matar a se...