Banco e a Escravidão Economica
Dê uma arma a um homem e ele pode roubar um banco. Dê um banco a um homem e ele pode roubar o mundo inteiro.
A sociedade contemporânea orgulha-se de ter superado os dogmas religiosos e a escravidão física, mas trata-se de uma ilusão profunda. Percebemos que apenas mudamos os senhores, substituímos a Igreja pelo Banco Central, o dízimo pelos juros, e o chicote pelo endividamento perpétuo. O dinheiro deixou de ser um mero meio de troca para se tornar uma ficção teológica, exigindo uma fé cega que faz do sistema monetário a instituição mais inquestionável e dogmática de nosso tempo.
"Zeitgeist: Addendum" desnuda a anatomia desse parasitismo institucional. O roubo praticado pelos bancos não é uma falha ou um desvio de conduta, ele é o próprio sistema. A engenharia desse saque legalizado, garantida pelo monopólio da violência do Estado, opera à luz do dia através de três mecanismos estruturais.
A Engenharia do Roubo
O Sistema de Reservas Fracionárias
O trabalhador é ensinado que precisa vender seu tempo, seu corpo e sua força vital para obter dinheiro. O banco, no entanto, opera sob a magia da criação ex nihilo (do nada). Através da prática de reservas fracionárias, os bancos comerciais não emprestam o dinheiro que possuem nos cofres.
Quando um banco recebe um depósito de 10 bilhões, a legislação estatal exige que ele retenha apenas uma fração, geralmente 10%, como reserva oficial. Os 9 bilhões restantes não são movidos do depósito original, eles são literalmente inventados através de contratos de empréstimos. Esse processo de criação se repete em cascata a cada novo depósito gerado pelo empréstimo anterior, permitindo que os originais 10 bilhões se transformem em 90 bilhões de dinheiro fictício.
O resultado empírico é devastador, o dinheiro que você pega emprestado não existia até o momento em que você assinou o contrato. Ao inflar a base monetária sem aumentar a riqueza real (produtos e serviços), o banco dilui o poder de compra do dinheiro que já estava em circulação. Esse roubo invisível é o que chamamos de inflação, um imposto oculto e perverso que suga a riqueza da classe trabalhadora sem a necessidade de aprovação legislativa.
O Paradoxo dos Juros
A Matemática da Miséria
A fraude atinge seu ápice na matemática da dívida. No atual modelo financeiro corporativista, todo dinheiro em circulação nasce de um empréstimo. Em essência, dinheiro é dívida e dívida é dinheiro. Se todas as dívidas públicas e privadas do mundo fossem pagas amanhã, não restaria um único centavo em circulação.
Porém, a armadilha letal está nos juros. Quando o Banco Central ou um banco comercial cria dinheiro para um empréstimo, eles criam apenas o valor do principal (o montante emprestado). O dinheiro para pagar os juros desse empréstimo simplesmente não é criado em lugar nenhum do sistema.
Isso significa que a quantidade de dinheiro devida aos bancos é matematicamente maior do que a quantidade de dinheiro existente no mundo. A escassez é estrutural, criando um macabro jogo de cadeiras musicais onde as falências, a inadimplência e a miséria não são falhas de caráter do indivíduo, mas necessidades matemáticas do sistema. Alguém, obrigatoriamente, vai quebrar para que outro consiga pagar sua dívida.
A Alquimia do Confisco e a Ilusão Jurídica
Quando a música para e o trabalhador não consegue pagar o que matematicamente é impossível de ser pago coletivamente, o banco executa a etapa final do golpe. Lembre-se, o banco não arriscou capital próprio no empréstimo, apenas digitou números em um sistema. Contudo, na hora da execução da dívida, o braço armado do Estado (a polícia e o judiciário) é acionado para confiscar algo tragicamente real, a sua casa, as suas terras e o fruto do seu trabalho.
Um caso emblemático que expõe essa farsa ocorreu em 1969, em Minnesota, com um homem chamado Jerome Daly. Ao enfrentar a execução da hipoteca de sua casa, Daly provou no tribunal que o banco não forneceu uma contrapartida real (bens ou dinheiro próprio) para o empréstimo. O presidente do banco admitiu sob juramento que o dinheiro foi inventado na contabilidade do próprio banco no momento da assinatura. O júri e o juiz concluíram que não houve "consideração legal" válida, com o magistrado afirmando poeticamente que "apenas Deus pode criar algo de valor do nada". A dívida foi anulada e Daly manteve sua casa. Naturalmente, essa jurisprudência libertadora foi rapidamente abafada pelas "elites" para proteger o núcleo da máquina de exploração.
A Escravidão Assalariada
O endividamento sistemático é a ferramenta mais refinada de controle de classes já concebida. Um documento britânico-americano do século XIX capturou perfeitamente essa transição, a escravidão física exige que o dono compre e cuide do escravo; já o plano moderno permite que o capital controle o trabalho simplesmente controlando a emissão de dinheiro e os salários.
A escravidão econômica atual é de uma genialidade sociopata, pois exige que os próprios escravos alimentem e abriguem a si mesmos. Pressionado pelo medo de perder sua subsistência e pela necessidade de pagar uma dívida perpétua, o trabalhador disciplina a si próprio. Ele entra na roda de hamster do esgotamento para sustentar a corporatocracia, a fusão nefasta entre corporações, bancos e o Estado.
Para desmantelar essa estrutura, o primeiro passo é nos tornarmos ateus em relação ao dinheiro e ao Estado. O banco não é uma força da natureza, a dívida não é uma obrigação moral. São apenas engrenagens de um sistema de coerção fictício que só se mantém de pé porque, alienados de nossa própria força, ainda acreditamos cegamente na ilusão.
— Luiggi Carnevale
Subscrito
Bonani

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