A IGREJA PRIMITIVA E A IGREJA DO SÉCULO 21: UMA REFLEXÃO NECESSÁRIA.

 



Quando olhamos para a igreja descrita nas Escrituras e comparamos com grande parte da igreja do século XXI, somos inevitavelmente confrontados por uma pergunta desconfortável: será que ainda estamos vivendo o cristianismo bíblico?

A igreja primitiva nasceu em meio à perseguição, mas também em meio a uma profunda vida espiritual, simplicidade e temor de Deus. A Bíblia diz:

“E perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações.” (Atos 2:42)

A prioridade daquela igreja não era entretenimento, visibilidade ou crescimento numérico a qualquer custo. A prioridade era a Palavra, a comunhão e a oração. Eles não buscavam uma experiência religiosa confortável; buscavam viver para Cristo, custasse o que custasse.

Hoje, em muitos lugares, vemos o oposto. Igrejas cheias, mas muitas vezes com pouca profundidade espiritual. Há abundância de eventos, programações e plataformas, mas escassez de arrependimento, santidade e temor de Deus.

A igreja primitiva não negociava a verdade. Os apóstolos pregavam o evangelho mesmo diante de ameaças. Pedro declarou:

“Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens.” (Atos 5:29)

Já no século XXI, em muitos contextos, o evangelho tem sido adaptado para agradar pessoas. Pecado raramente é confrontado. A cruz é suavizada. O arrependimento é substituído por mensagens motivacionais.

A igreja primitiva vivia sacrifício. Muitos perderam bens, liberdade e até a própria vida por causa de Cristo. Hoje, em contraste, parte do cristianismo moderno tem sido moldado por uma mentalidade de conforto e consumo religioso.

Paulo advertiu que isso aconteceria:

“Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças.” (2 Timóteo 4:3)

Outro aspecto marcante da igreja primitiva era a centralidade de Cristo. Jesus não era apenas parte da mensagem; Ele era a mensagem.

Paulo disse:

“Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado.” (1 Coríntios 2:2)

Hoje, infelizmente, em muitos púlpitos Cristo foi substituído por autoajuda, prosperidade material ou discursos motivacionais. O homem tornou-se o centro, quando deveria ser Deus.

Mas essa reflexão não deve ser usada apenas para criticar instituições ou líderes. Ela deve começar dentro de cada um de nós.

A pergunta não é apenas: “Onde a igreja mudou?”

A pergunta mais importante é:

Eu ainda vivo o cristianismo da Bíblia?

Será que perseveramos na Palavra?

Será que buscamos santidade?

Será que amamos a verdade mesmo quando ela nos confronta?

Será que Cristo é realmente o centro da nossa vida?

A boa notícia é que Deus sempre levanta um remanescente fiel. Em todas as gerações há homens e mulheres que se recusam a viver um evangelho superficial.

Talvez o maior avivamento que precisamos hoje não seja de eventos, mas de retorno às Escrituras, arrependimento e santidade.

A igreja do século XXI não precisa reinventar o cristianismo.

Ela precisa voltar às suas origens.

Voltar à Palavra.

Voltar à cruz.

Voltar a Cristo.

Porque somente quando a igreja volta para Cristo, o mundo volta a ver Cristo na igreja.


Pastor Luciano Serenado. 

Subscrito 

Bonani

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