Absoluto é aquilo que é plenamente relativo



 "A totalidade é-nos desconhecida? Claro, racionalmente, pois é evidente. A ciência e o racional só servem para chegar às fronteiras do irracional, para mais nada. Porque depois de um sujeito estudar toda a Física e toda a Matemática que é possível, chega àquilo que considera o fim e vai chocar no mistério. Olha o coitado do Einstein  - se se pode dizer coitado -, que andou toda a vida preocupado em chegar à equação última do Universo. E o que era essa equação? Era dizer que alguma coisa é igual a outra, e porquê e em quê é igual? Então, falta-lhe decifrar não o mistério do primeiro nem do segundo termo, mas o sinal de igualdade. Isso é que nós queríamos saber - em que qualquer coisa no Mundo é igual a outra qualquer coisa. Ou, por outras palavras: em determinar o Absoluto. Mas de cada vez que nós, coitados, tentamos só o determinamos com o adjectivo, o que significa que ele está separado de todas as coisas; mas, estando separado delas, significa também que é relativo a todas as coisas. No fim de contas, podemos dizer que o Absoluto é aquilo que é plenamente relativo - e estamos numa bonita posição para continuar."


- Agostinho da Silva, A NOSSA OBRIGAÇÃO É SER POETA À SOLTA  (Entrevista a Carlos Câmara Lemos) in Paulo Borges (org), AGOSTINHO DA SILVA - DISPERSOS, Instituto de Língua e Cultura Portuguesa, Ministério da Educação, Lisboa, 1988, pp. 159 e 160.

Subscrito 


Bonani 

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