Atitudes Pioneiras e Adquirentes!
Dias trás, aqui em Portugal, estive na Celebração de aniversário de 35 anos de uma Igreja Batista na cidade de Felgueiras. Cooperei de certa forma na edificação dessa Comunidade, visto viver em Portugal 34 anos e fazer parte da história dessa abençoada expressão evangélica no norte do país.
Voltando para casa, meu pensamento retrocedeu ate o dia 28 de Novembro de 1992, data de minha chegada em terras lusitanas nas asas da Companhia de Aviação da Ibéria.
Converso com Deus, converso com minha esposa, meus filhos e amigos. Entretanto: por vezes me pego conversando comigo mesmo. Em uma dessas mesas redondas interior, inquiri comigo mesmo sobre minha experiência de 34 anos de ministério pastoral em Portugal. Me perguntei...;
-Bonani: qual será sua melhor definição, ou seja, sua melhor versão existencial nesse longo período de trabalho pelo Evangelho em terras lusitanas?
Após uns minutos de reflexão, em querer me gloriar, inda que certa dose de orgulho pareceu querer massagear meu ego, conclui que meu perfil nesse quesito era de um pioneiro!
Fui mais longe na questão...
Questionei sobre o tempo e as construções desse pioneirismo!
Perguntei:
-Bonani: Nesses anos todos, qual foi sua contribuição na esfera espiritual, intelectual, psicológica e profissional?
Não pude também deixar de pensar, através de observações e experiências adquiridas nesses tempos, que existe uma diferença entre ser pioneiro e o adquirente, ou seja; aquele recebe, assume ou toma posse de algo já iniciado, estruturado ou construído e cuja vocação é preservar, organizar, aperfeiçoar e dar continuidade. Confesso que: na minha jornada; não foram poucos que desenvolvi também.
Outra questão me veio a alma:
-Bonani: quantas pessoas foram beneficiadas pelo seu trabalho, independente das suas limitações, acertos e erros?
A partir dessas reflexões, conclui, e deixo como um estudo de referência testemunhal o que posso tematizar como:
Atitudes Pioneiras e Atitudes Adquirentes!
Há uma diferença entre ambas!
Vejamos:
Síntese inicial
A diferença entre ser pioneiro e adquirir algo já construído pode ser organizada em três eixos complementares:
Intelectual — modos distintos de relação com o conhecimento, com o risco e com a criação.
Filosófico — diferentes formas de estar no mundo, de assumir responsabilidade e de lidar com o tempo.
Teológico — duas vocações igualmente legítimas, mas radicalmente diferentes: fundar e edificar.
A seguir, quero desenvolver cada eixo com precisão e progressão lógica.
1. Dimensão Intelectual
1.1. O pioneiro como produtor de sentido
O pioneiro:
-opera no vazio estrutural;
-cria categorias, métodos, caminhos;
-assume o custo cognitivo da incerteza;
-trabalha sem garantias de reconhecimento;
-inaugura possibilidades que outros só perceberão depois.
Intelectualmente, o pioneiro é um gerador de paradigmas. Ele não apenas responde perguntas — ele cria perguntas novas.
1.2. O adquirente como gestor de sentido
-Quem adquire algo já construído:
-trabalha dentro de um marco conceitual existente;
-otimiza, administra, amplia;
-reduz riscos ao operar sobre estruturas testadas;
-transforma o que recebeu, mas não necessariamente cria do zero.
Intelectualmente, o adquirente é um curador e aperfeiçoador.
1.3. A tensão produtiva
Ambos são necessários.
Sem pioneiros, não há futuro.
Sem adquirentes, não há continuidade.
2. Dimensão Filosófica
2.1. O pioneiro e o tempo
-O pioneiro vive orientado ao porvir.
-Ele age antes que o mundo esteja pronto para recebê-lo.
-Sua relação com o tempo é de antecipação.
Filosoficamente, ele encarna o ethos(o modo de ser) da transgressão criativa:
rompe limites, inaugura mundos, desafia o estabelecido.
2.2. O adquirente e o tempo
-O adquirente vive orientado ao presente ampliado.
-Ele recebe algo que já tem história e o projeta adiante.
-Sua relação com o tempo é de continuidade.
Filosoficamente, ele encarna o ethos(o modo de ser) da responsabilidade histórica:
preserva, organiza, estabiliza, dá forma ao que já existe.
2.3. Liberdade vs. Responsabilidade
- pioneiro assume a liberdade radical do início.-
-O adquirente assume a responsabilidade radical da manutenção.
-Ambos enfrentam riscos diferentes:
-o pioneiro pode fracassar;
-o adquirente pode estagnar.
3. Dimensão Teológica
Aqui o contraste ganha profundidade.
3.1. O pioneiro como vocação apostólica
Na teologia bíblica, o pioneiro se aproxima da figura:
-de Abraão (“sai da tua terra”);
-dos profetas que inauguram visões;
-dos apóstolos que plantam igrejas;
-de Cristo como “autor e consumador da fé” (Hb 12.2).
O pioneiro é chamado a abrir caminhos onde não há trilhas.
3.2. O adquirente como vocação pastoral e magisterial
-Quem recebe algo já construído se aproxima da figura:
-dos sacerdotes que mantêm o culto;
-dos mestres que preservam a doutrina;
-dos presbíteros que edificam sobre o fundamento apostólico;
-de Timóteo e Tito, que organizam o que Paulo iniciou.
O adquirente é chamado a cuidar, consolidar e aperfeiçoar.
3.3. Fundamento e edificação
-Paulo sintetiza essa distinção com precisão:
-“Eu plantei, Apolo regou, mas Deus deu o crescimento.” (1Co 3.6)
-Paulo = pioneiro
-Apolo = adquirente/edificador
-Ambos são necessários para que haja crescimento.
3.4. O pecado de cada vocação
-O pioneiro pode cair na soberba da originalidade.
-O adquirente pode cair na idolatria da tradição.
-A virtude de cada um é complementar:
-pioneiro → coragem
-adquirente → fidelidade
4. Síntese Estrutural (modelo para ensino)
Quadro comparativo
Dimensão Pioneiro Adquirente
1-Intelectual: Cria paradigmas Aperfeiçoa paradigmas
2-Filosófica: Vive o porvir Vive a continuidade
3-Teológica: Vocação apostólica pastoral/magisterial
4-Risco: Fracasso Estagnação
5-Virtude: Coragem Fidelidade
6-Movimento: Inaugurar Consolidar
No amor de Cristo
Bispo Bonani
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