C.H Spurgeon e a revelação divina
Em certa ocasião, enquanto pregava em Exeter Hall, interrompeu o sermão e apontou seu dedo em determinada direção, declarando: “Jovem, essas luvas que você está usando não foram pagas: você as furtou do seu pa-trão”. Depois do culto, um jovem obviamente pálido e agitado implorou para falar com ele em particular. Colocou na mesa um par de luvas e disse: “Essa foi a primeira vez que furtei alguma coisa do meu patrão, e nunca o farei de novo. O senhor não vai me denunciar, vai? Minha mãe morreria de desgosto se ouvisse dizer que me tornei ladrão”.
As Escrituras nunca alegam que nos suprem de todas as informações possíveis necessárias para to mar toda decisão concebível. As Escrituras nos mandam, sim, pregar o evangelho a toda criatura, mas não dizem a um missionário principiante em 1996 que Deus deseja seus serviços na Albânia e não na Austrália. O potencial para Deus falar além das Escrituras, quer para orientação, exortação, encorajamento ou convicção, não apresenta nenhuma ameaça para a suficiência que as Escrituras reivindicam para si mesmas.
“Poderia contar até mesmo uma dúzia de casos semelhantes nos quais apontei para alguém no salão sem possuir o mínimo conhecimento da pessoa ou ter qualquer idéia de que o que falara era correto - só que acreditava ter sido instigado pelo Espírito para falar assim; e minha descrição tem sido tão notável que as pessoas, no fim do culto, têm ido dizer aos amigos: “Venham ver um homem que me contou todas as coisas que já fiz. Sem dúvida alguma Deus o enviou à minha alma, senão não poderia me ter descrito com tanta exatidão”. E não somente isso, mas fiquei sabendo de muitas ocasiões em que os pensamentos dos homens têm sido revelados do púlpito. Às vezes tenho visto pessoas cutucarem o colega do lado, por terem recebido uma palavra direta e, na saida, outros as ouviram dizer: “O pregador nos contou exatamente o que diziamos um ao outro quando estávamos entrando pela porta”.
Palavra do “príncipe dos pregadores”, C. H. Spurgeon
Fonte: The autobiography of Charles H. Spurgeon, London: Curts & Jannings, 1899, vol. 2 p. 226
Subscrito
Bonani

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