"TEMPO DO MEU INEXISTENTE TEMPO"


"O tempo escorre
no obter de consciência
Tornando o púbere, impúbere.
o novo,
velho.
A esperança
torna-se seca na fonte
da vida.
Inversamente proporcional
ao tempo,
que mastiga e
cospe os que o
esperam."
Rafael Solera

Segundo  pensador judeu Henri Bergson (1859-1941), a real concepção de tempo é divergente da concepção do tempo científico – baseado na sucessão e passível de cálculos. Para Bergson, o tempo real não é uma grandeza física, quantitativa, que pode ser medida e representada conceitualmente, mas sim uma experiência qualitativa, íntima à vida humana e à consciência, ligada à multiplicidade de estados psicológicos e, portanto, não pode ser calculado linearmente como sucessão, tendo em vista que não há como calcular momentos temporais da experiência vivida. A noção bergsoniana de tempo está submetida a uma ideia de fluidez da experiência e sua pluralidade qualitativa, conhecida em sua filosofia como duração, e sua natureza não está ligada à natureza do espaço. Mesmo após a física newtoniana e a teoria einsteiniana da relatividade, resultando no íntimo tratamento da ciência com o tempo (t), o filósofo indaga a insuficiência das teorias científicas para lidar com questões filosóficas. O tempo da ciência é o tempo do relógio, quantitativo, o tempo da medida, conceituado. Porém, quando tentamos medir o tempo, o mesmo já está pré-dado, já o compreendemos antes de defini-lo. Como nas palavras de Agostinho (354-430) no Livro XI de suas Confissões, “Que é, pois, o tempo? Se ninguém me pergunta, eu sei; mas se quiser explicar a quem indaga, já não sei.“ Vemos também, na mesma obra, a impossibilidade de se medir o tempo: seja o passado por não existir mais, o presente por não ter espaço e o futuro por ser mera expectação; e, com isso, Bergson defende seu posicionamento da realidade baseada no tempo psicológico.

Tá dito,

Bonani

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