A Compreensão como Último Refúgio

 


A Compreensão como Último Refúgio


Observar o homem é contemplar um teatro sem fim, onde cada ator ignora o roteiro e improvisa com a convicção de um papel bem ensaiado. Entre o riso e o desprezo, ergue-se uma terceira via: a compreensão, esse olhar que não julga, mas decifra; que não condena, mas investiga; que não se ergue acima, mas mergulha fundo.


A tragédia e a comédia se enlaçam no destino humano, pois a existência oscila entre a grandeza e a pequenez, entre o sublime e o ridículo. Rir das quedas dos outros é esquecer que tropeçamos do mesmo modo. Desprezar suas ilusões é ignorar as nossas. E, no entanto, há uma tentação irresistível nesses dois gestos: o riso preserva a distância, o desprezo protege da contaminação. Mas compreender exige proximidade, risco, exposição à vertigem de saber-se também parte do jogo.


O olhar que compreende não se fecha na ironia nem na indiferença. Ele adentra as contradições humanas com o rigor de um pensador e a ternura de um poeta. Vê na loucura uma forma de lógica tortuosa, na hipocrisia um refúgio contra o desamparo, no erro a tentativa cega de acerto.


Pois o homem é um ser que tateia no escuro, guiado por certezas que amanhã serão pó. Ele erra porque busca, cai porque caminha, mente porque teme. E, se tudo isso é um espetáculo absurdo, não cabe ao sábio ser espectador zombeteiro, mas sim aquele que, em meio ao caos das máscaras, ousa enxergar a verdade oculta nos gestos mais banais.


Oliver Harden

Subscrito 

Bonani

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