Análise do Psiquismo Coletivo do Eleitor Brasileiro



Confesso que de alguns anos para cá, no quesito da preferência política, o eleitor brasileiro parece não estar dando conta que está a beira do limite de um surto psíquico, fruto do psiquismo coletivo.

Pensando nisso, procurei analisar com base psicanalítica, elementos clarificadores dessa minha tese sobre essa doença coletiva dos eleitores tupiniquins. 

O psiquismo coletivo do eleitor brasileiro atual revela um funcionamento regressivo, onde mecanismos de defesa primitivos moldam o debate político.

Abaixo estão os eixos psicanalíticos centrais para compreender este fenómeno. Vejamos:

1. Clivagem e a Defesa Esquizoparanóide

O ego coletivo opera na posição esquizoparanóide descrita por Melanie Klein. Divisão binária: O mundo é cindido entre o "objeto bom" (o meu líder) e o "objeto mau" (o rival).

Ausência de ambivalência: É impossível integrar defeitos no aliado ou virtudes no adversário.

Projeção: Frustrações, corrupção e falhas internas são massivamente projetadas no outro.

Paranoia social: O debate político é vivido como uma ameaça de aniquilação existencial constante.

2. O Líder como Ideal do Ego

A ligação dos blocos políticos com os seus líderes reflete as teorias de Sigmund Freud em Psicologia das Massas e Análise do Ego.

Identificação horizontal: Os eleitores unem-se porque partilham o mesmo ideal.

Substituição psíquica: O líder político substitui o Ideal do Ego individual dos sujeitos.

Submissão voluntária: Ocorre uma abdicação do julgamento crítico individual em favor da voz do grupo.

Amor narcísico: Criticar o líder é sentido como um ataque direto ao próprio ego do eleitor.

3. O Complexo de Vira-Lata e o Desamparo Primário.

A polarização alimenta-se de feridas narcísicas históricas da identidade brasileira.

Angústia de desamparo: O eleitor projeta no Estado a figura de um pai protetor que falhou.

Busca pelo Grande Outro: Existe uma demanda infindável por uma autoridade onipotente que resolva o caos.

Ressentimento: A polarização serve como canalizador para a raiva decorrente da desigualdade e da humilhação social.

4. Pactos Denegativos e Gozo Político

O ecossistema de desinformação sustenta-se em estruturas clínicas profundas.

Denegação (Verleugnung): O eleitor sabe os factos, mas age como se não soubesse para autopreservação mítica.

Pacto denegativo: O grupo valida narrativas falsas para manter a coesão e evitar o luto da desilusão.

Gozo lacaniano: Há um prazer disfuncional no conflito, no cancelamento e na destruição simbólica do rival.

Acredito serem esses elementos, os sintomas mais evidentes do psiquismo coletivo da massa eleitoral brasileira. 

Nesse quesito, o Brasil deve ser,se não o maior, um dos maiores países detentores de esquizoparanoides por metro quadrado do planeta Terra!

Bonani 

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