A Biologia continua sendo um pilar sólido e ninguém a Derruba.

 


A genética, a embriologia e a endocrinologia continuam descrevendo com precisão:

  • como corpos se formam

  • como características sexuais se desenvolvem

  • como hormônios influenciam o organismo

  • como diferenças biológicas existem e são reais

Nada disso foi abandonado pela ciência.


Entretanto: nos dias atuais; a compreensão de que identidade de gênero não é sinônimo de sexo biológico, ou seja, são categorias diferentes, estudadas em áreas diferentes, está dando uma grande abertura para a banalização. Quando essa banalização é levada a extremos perigosos, principalmente, quando pais ou responsáveis por crianças permitem que profissionais da saúde física e psicológica intervenham na mudança da genitália de uma criança; pode causar danos irreparáveis!

O texto abaixo não é de minha autoria, entretanto reflete profundamente sobre o tema que apresento.

Ei-lo...

"Durante anos, a medicina apresentou o caso como um sucesso.

Mas havia uma criança vivendo dentro daquela história — e ela passaria a infância inteira tentando dizer que os relatórios estavam errados.
David Reimer nasceu em Winnipeg, no Canadá, em 22 de agosto de 1965. Ao nascer, recebeu o nome de Bruce. Tinha um irmão gémeo idêntico, Brian.
Aos oito meses de idade, os dois foram levados ao hospital para uma circuncisão. Durante o procedimento de Bruce, algo correu terrivelmente mal: um equipamento de eletrocautério provocou uma lesão grave e destruiu grande parte do seu pênis.
A cirurgia de Brian foi imediatamente cancelada.
Os pais, Ron e Janet Reimer, ficaram diante de uma pergunta para a qual não encontravam resposta: como seria o futuro do seu filho depois daquela lesão?
Foi então que conheceram o psicólogo John Money, da Johns Hopkins University, em Baltimore.
Money defendia que a identidade sexual poderia ser moldada nos primeiros anos de vida por meio da criação, do ambiente e da educação.
Ele apresentou aos pais uma proposta radical: criar Bruce como menina.
Aos 22 meses, os testículos da criança foram removidos e ela passou a ser criada como menina. Recebeu o nome de Brenda. Os pais deveriam vestir, educar e tratar a criança como uma menina — sem lhe revelar que havia nascido menino.
Para Money, o caso dos gémeos parecia oferecer uma oportunidade extraordinária.
Eles tinham os mesmos pais, haviam partilhado a mesma gravidez e possuíam o mesmo património genético. Um seria criado como menina; o outro, como menino.
O caso ficou conhecido na literatura médica como “John/Joan”.
E, durante anos, foi apresentado como evidência de que a identidade poderia ser moldada pela criação.
Mas havia um problema.
A criança não concordava com a teoria.
Desde cedo, Brenda rejeitava vestidos, bonecas e outras expectativas impostas sobre ela. Preferia brincar com o irmão e demonstrava desconforto com o papel que os adultos tentavam construir à sua volta.
Enquanto os relatórios médicos descreviam uma experiência aparentemente bem-sucedida, a realidade daquela criança era muito diferente.
Na adolescência, a situação tornou-se insustentável.
Aos 13 anos, Brenda chegou a ameaçar tirar a própria vida caso fosse obrigada a continuar com aquelas visitas e procedimentos.
Então, em 1980, os pais finalmente lhe contaram a verdade.
Disseram-lhe que havia nascido menino.
Contaram-lhe sobre o acidente durante a circuncisão.
E explicaram que, depois daquele acidente, os médicos haviam decidido criá-lo como menina.
A revelação não criou uma nova identidade.
Ela explicou uma vida inteira de conflito.
A criança que todos tentaram transformar em Brenda decidiu chamar-se David.
Iniciou tratamento com testosterona e, posteriormente, passou por procedimentos cirúrgicos reconstrutivos.
David casou-se, constituiu família e tornou-se pai.
Mas havia algo que ainda precisava ser corrigido.
Durante anos, a sua infância continuava a ser citada em publicações médicas como uma demonstração de que a experiência havia funcionado.
Até que David decidiu falar.
Em 1997, os pesquisadores Milton Diamond e H. Keith Sigmundson publicaram um relato que contrariava a versão anteriormente divulgada. No mesmo ano, David tornou pública a sua história e deixou de ser apenas o anonimato de “John/Joan”.
O caso que havia sido apresentado como uma vitória científica tornou-se um dos exemplos mais conhecidos dos limites de tentar transformar uma experiência humana complexa numa conclusão médica definitiva.
E talvez essa seja a parte mais inquietante de toda a história: o relatório dizia uma coisa. A pessoa que viveu o experimento dizia outra.
Durante anos, os adultos falaram sobre David.
Depois, finalmente, David falou por si mesmo.
E a sua voz obrigou a ciência a olhar novamente para uma história que durante muito tempo havia sido contada apenas por quem observava de fora."



Bonani

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