Quais são os interesses das Grandes Potências?
"As nações não têm amigos permanentes nem inimigos permanentes. Têm apenas interesses permanentes." Lord Palmerston (estadista britânico do século XIX)
"A política internacional é uma luta pelo poder. Os Estados agem principalmente para proteger e ampliar os seus interesses nacionais, mesmo quando apresentam as suas ações em linguagem moral ou idealista."
Esta ideia ajuda a olhar para os EUA, China, Rússia, Reino Unido ou qualquer outra potência sem romantismos. A pergunta deixa de ser "são bons ou maus?" e passa a ser "quais são os seus interesses?".
Outro autor que provavelmente encaixa ainda mais na tua intuição é John Mearsheimer:
"As grandes potências estão condenadas pela própria estrutura do sistema internacional a procurar maximizar o seu poder e influência."
Segundo Mearsheimer, se os EUA tentam manter uma influência dominante nas Américas, isso não é uma anomalia nem uma conspiração. É precisamente o comportamento esperado de uma grande potência. Da mesma forma, a China procura influência na Ásia e a Rússia no seu espaço regional.
Por exemplo:
"Os Estados Unidos não procuram necessariamente americanizar o continente americano por malícia ideológica; procuram fazê-lo porque as grandes potências tendem a moldar o seu ambiente geopolítico de acordo com os seus interesses estratégicos."
É uma visão menos emocional e mais geopolítica.
Quando comecei a estudar geopolítica como uma das minhas disciplinas na Universidade Lusófona, foi esta ideia que mais mudou a minha forma de ver o mundo. De repente, muitos acontecimentos que pareciam hipocrisia passaram a parecer simples cálculos de poder e interesse.
Vejamos pois:
Se olharmos para a geopolítica com lentes realistas, há alguns sinais recorrentes que indicam a influência de uma grande potência sobre outras regiões ou países:
1. Dependência económica
Quando um país depende fortemente de outro para:
- exportações,
- investimento,
- crédito,
- tecnologia, a sua margem de manobra política tende a diminuir.
Exemplo: muitos países latino-americanos tiveram períodos de forte dependência do mercado americano.
2. Presença militar
Bases militares, alianças de defesa e acordos de segurança costumam revelar áreas de influência.
O geopolítico Zbigniew Brzezinski defendia que a projeção militar é um dos principais instrumentos de poder global.
3. Influência cultural
Quando uma população:
- consome os mesmos filmes,
- segue os mesmos influenciadores,
- adota os mesmos hábitos de consumo,
- utiliza maioritariamente plataformas de uma potência estrangeira.
Existe uma forma de influência que não precisa de coerção. O cientista político Joseph Nye chamou a isto soft power.
4. Influência nas elites
Um sinal frequentemente estudado é onde políticos, altos funcionários e empresários são formados.
Se as elites de um país estudam nas mesmas universidades, frequentam os mesmos fóruns internacionais e partilham as mesmas referências ideológicas, tende a surgir alinhamento estratégico.
5. Controlo tecnológico
No século XXI, tecnologia tornou-se poder geopolítico.
Quem controla:
- sistemas operativos,
- redes sociais,
- semicondutores,
- cloud computing,
- inteligência artificial. Possui capacidade de influência sem necessidade de ocupação militar.
6. Narrativa dominante
Uma potência forte consegue frequentemente definir:
- quem é visto como aliado,
- quem é visto como ameaça,
- quais conflitos recebem atenção,
- quais conflitos ficam esquecidos.
Não significa controlo absoluto da informação, mas sim uma enorme capacidade de influenciar a agenda pública.
A frase que mais sintetiza tudo isto seja de Antonio Gramsci: "O poder não se exerce apenas pela força, mas também pela capacidade de fazer com que uma determinada visão do mundo pareça natural."
Bonani
Copilot said:
Se olharmos para a geopolítica com lentes realistas, há alguns sinais recorrentes que indicam a influência de uma grande potência sobre outras regiões ou países:
1. Dependência económica
Quando um país depende fortemente de outro para:
- exportações,
- investimento,
- crédito,
- tecnologia,
a sua margem de manobra política tende a diminuir.
Exemplo: muitos países latino-americanos tiveram períodos de forte dependência do mercado americano.
2. Presença militar
Bases militares, alianças de defesa e acordos de segurança costumam revelar áreas de influência.
O geopolítico Zbigniew Brzezinski defendia que a projeção militar é um dos principais instrumentos de poder global.
3. Influência cultural
Quando uma população:
- consome os mesmos filmes,
- segue os mesmos influenciadores,
- adota os mesmos hábitos de consumo,
- utiliza maioritariamente plataformas de uma potência estrangeira,
existe uma forma de influência que não precisa de coerção.
O cientista político Joseph Nye chamou a isto soft power.
4. Influência nas elites
Um sinal frequentemente estudado é onde políticos, altos funcionários e empresários são formados.
Se as elites de um país estudam nas mesmas universidades, frequentam os mesmos fóruns internacionais e partilham as mesmas referências ideológicas, tende a surgir alinhamento estratégico.
5. Controlo tecnológico
No século XXI, tecnologia tornou-se poder geopolítico.
Quem controla:
- sistemas operativos,
- redes sociais,
- semicondutores,
- cloud computing,
- inteligência artificial,
possui capacidade de influência sem necessidade de ocupação militar.
6. Narrativa dominante
Uma potência forte consegue frequentemente definir:
- quem é visto como aliado,
- quem é visto como ameaça,
- quais conflitos recebem atenção,
- quais conflitos ficam esquecidos.
Não significa controlo absoluto da informação, mas sim uma enorme capacidade de influenciar a agenda pública.
Talvez a frase que mais sintetiza tudo isto seja de Antonio Gramsci:
"O poder não se exerce apenas pela força, mas também pela capacidade de fazer com que uma determinada visão do mundo pareça natural."
É por isso que, em geopolítica, muitos analistas procuram olhar para além dos discursos oficiais. A pergunta não é apenas "quem manda?", mas também "quem define aquilo que consideramos normal, desejável ou inevitável?".

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