Descritivo ou Prescritivo... Como interpretar uma passagem bíblica?
“E o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia” (Atos 16.14). A citação referente a Lídia é fundamental para abrir este estudo, pois ela estabelece o princípio hermenêutico que deve governar toda leitura bíblica responsável: é Deus quem ilumina o entendimento, não ideologias, ressentimentos culturais ou leituras militantes do texto sagrado. Sem essa abertura divina, episódios difíceis das Escrituras são facilmente distorcidos, instrumentalizados ou usados como arma contra a própria fé cristã. O episódio envolvendo Ló e suas duas filhas, narrado em Gênesis 19.30–38, jamais pode ser lido como aprovação divina do incesto, nem como incentivo moral, nem como norma religiosa. Trata-se de uma narrativa descritiva, não prescritiva. A Bíblia não romantiza o pecado, nem o suaviza; ela o expõe para revelar a profundidade da queda humana e, simultaneamente, a soberania e misericórdia de Deus que atuam apesar da corrupção humana. A tentativa de acusar as Escrituras de ...