"Rousseau.Fé e o livro:"O Contrato Social""
Jean-Jacques Rousseau era religioso, mas não seguia as instituições religiosas tradicionais da sua época e foi, por vezes, considerado um teísta não ortodoxo ou um defensor da "religião natural". A sua visão era profundamente pessoal, focada na moralidade, no sentimento interior e na "religião do coração", em vez de dogmas e rituais eclesiásticos.
Aqui estão os pontos principais sobre a religiosidade de Rousseau:
Teísmo e Religião Natural: Rousseau acreditava na existência de um Deus (Autor das coisas) e na imortalidade da alma, que poderiam ser percebidos através da natureza e da consciência, independentemente de revelações bíblicas.
Crítica às Instituições: Ele criticava severamente as religiões reveladas (como o catolicismo e o protestantes institucionalizado) e a sua intolerância, defendendo que a fé individual não dependia de dogmas eclesiásticos.
Formação e Crença: Nascido em Genebra num ambiente calvinista, converteu-se ao catolicismo na juventude, mas retornou ao calvinismo mais tarde para recuperar a sua cidadania. Apesar das trocas, manteve uma visão de cristianismo profundo e sincero, mas crítico.
Religião Civil: No seu livro O Contrato Social, Rousseau propôs uma "religião civil" — um conjunto de crenças simples, mas necessárias para a coesão social e a moralidade dos cidadãos (existência de Deus, vida após a morte, santidade do contrato social).
"Profissão de Fé do Vigário Saboiano": Incluída na sua obra Emílio, esta parte é onde Rousseau mais detalha as suas crenças pessoais, exaltando uma espiritualidade baseada no sentimento e na consciência, muitas vezes descrita como deísmo ou teísmo emocional.
Embora tenha sido perseguido tanto por católicos quanto por protestantes devido às suas ideias, ele nunca foi ateu, sentindo-se, na verdade, um cristão sincero que rejeitava a corrupção das igrejas.
"O Contrato Social" (1762), de Jean-Jacques Rousseau, é uma das obras mais influentes da filosofia política moderna. O seu objetivo central é encontrar uma forma de organização social que legitime a autoridade política, protegendo ao mesmo tempo a liberdade individual, após Rousseau ter constatado que o homem vive "acorrentado" pela sociedade.
Aqui está uma articulação dos pontos fundamentais da obra:
1. O Problema Fundamental
Rousseau começa com a famosa frase: "O homem nasce livre, e em toda parte se encontra acorrentado". O contrato social é a proposta para transformar a obediência forçada numa obrigação legítima, onde os homens, ao passar do estado de natureza para o estado civil, perdem a sua liberdade natural, mas ganham a liberdade civil e a igualdade legal.
2. O Pacto Social e a Vontade Geral
O contrato proposto por Rousseau é um pacto de associação recíproca. Não é uma submissão a um governante (como em Hobbes), mas uma união onde cada indivíduo se entrega à comunidade inteira.
Vontade Geral: É o conceito central. Não é a simples soma das vontades individuais (vontade de todos), mas a vontade que visa o bem comum.
Ao obedecer às leis criadas pela "vontade geral", o cidadão está, na verdade, a obedecer a si mesmo, mantendo a sua liberdade.
3. Soberania Popular e a Lei
Soberania: A soberania pertence inalienavelmente ao povo. O poder não deve ser delegado a representantes, mas exercido diretamente pelo povo em assembleias.
Lei: A lei é a expressão da vontade geral.
Igualdade: O contrato social não destrói a igualdade natural, mas a substitui por uma igualdade legal e moral.
4. O Governo
Rousseau distingue o soberano (o povo, que faz as leis) do governo (o corpo administrativo ou "príncipe", que executa as leis). Ele alerta que o governo tende a tentar usurpar a soberania e, por isso, deve ser estritamente vigiado.
5. Liberdade e Obediência
Rousseau defende que a liberdade consiste em obedecer às leis que nós próprios prescrevemos. Renunciar à liberdade é renunciar à qualidade de ser humano.
Resumo em Tópicos
Foco: Legitimação do poder político e soberania popular.
Início: O homem perde a liberdade natural, mas ganha liberdade civil.
Solução: Vontade Geral (busca pelo bem comum).
Soberania: Inalienável e indivisível (povo como autor da lei).
Ideal: Participação direta, não representativa (ideal para comunidades menores).
Em suma, "O Contrato Social" defende uma democracia onde a soberania reside no povo, que se auto-governa através da vontade geral, equilibrando a liberdade individual com a igualdade civil.
Bonani

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