Geração Aberração

 



Pessoas que se identificam com cães, gatos ou outros animais, surgem de uma sociedade que já não sabe por onde transgredir e tentar ser diferente. Já se esticou tanto, que não há limites para a criatividade mas também para a aberração.

Tem origem no vazio afectivo, na necessidade desesperada de se ter uma identidade e de preencher lacunas emocionais através de algo que possa chocar.


Sempre fez parte da adolescência e do início da idade adulta, muitas pessoas precisarem de transgredir como forma de romper com os valores da geração anterior. É algo, em certa medida, saudável. Queremos, nessa idade, construir algo que é nosso, que se distingue do que foi com os nossos pais. 

Por isso é que surgiram os góticos, os punks, os hippies, por aí fora.


O problema é que isso tudo já não é novidade nem diferente. Ser gótico não é suficientemente transgressor. Ser punk está old age. Então, inconscientemente, uma nova geração, dá por si a alargar as possibilidades de romper com os valores sociais em que cresceram. 


Estamos no campo da doença mental, do perigoso e do que não pode ser normalizado.

E não aceito que colegas meus de profissão tentem explicar este fenómeno à luz da forma como se explica questões de género, por exemplo.

Identificação com algo assim não é identidade. É grito de sofrimento, é desorientação total.


Sim, é preciso perceber de onde surge e porquê, como faço aqui nestas palavras. 

Mas depois, é preciso também nomear claramente do que se trata. Trata-se de doença, de aberração, de problemas com o eu muito graves. 

Ser psicóloga não me faz colocar um pano ou uma película de compreensão e aceitação por cima disto. Porque essa forma de agir, explicar e normalizar tudo, está a ser um dos grandes motivos para que estes problemas se intensifiquem. 


É preciso que os profissionais de saúde mental não tenham receio de melindrar, nem de se vender ao politicamente correcto de uma compreensão que acaba por se transformar em perversão.

É errado, é grave, não pode ser, temos de proteger os mais novos disto tudo. Ponto final.

Ana Rita Dias 

Subscrito 

Bonani

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