"A DES-GRAÇA DA GRAXA”


Do latim vulgar, a palavra  grassìa-, de crassu-, «espesso; gordo; adquiri sua forma final na palavra que hoje conhecemos como “graxa”, que, segundo o dicionário Porto Editora, tem as seguintes definições:
1.         mistura de pó de fuligem ou de outras substâncias corantes, com gordura, para dar lustro ao cabedal
2.        coloquial- adulação
3.         popular- vinho ordinário
4.        antiquado- banha feita da cocção do fígado de alguns peixes, com que os pescadores iluminavam o interior das suas casas
5.         regionalismo- embriaguez
6.        no português do Brasil- untura; lubrificante; dar graxa a bajular, adula.
Tem muito crente que pensa que transforma a Graça de Deus em “Graxa de Deus”, usando-a com todas as composições ou definições descritas acima!
Segue abaixo um texto que não é de minha autoria, mas que reflecte muito bem, como muitos conduzem suas vidas, “engraxados” em suas vãs maneiras de pensar, escorregando na graxa e querendo conceber assim a “Graça de Cristo!”
Faça uma leitura, firme na “Rocha da Graça” e cuidado para não escorregar na “Desgraça da Graxa!”
Vamos lá então ao que interessa!
                        GRAÇA: VOCÊ ACHA QUE É MOLEZA?
Ora, irmãos, não quero que vocês sejam ignorantes quanto ao fato que nossos pais, no Êxodo, estiveram todos sob a nuvem, e todos passaram pelo mar.
Assim, podemos dizer que todos eles foram batizados, tanto na nuvem como no mar; e isto no que dizia respeito a Moisés.
E mais: podemos dizer que todos eles comeram de um pão espiritual e beberam da mesma fonte espiritual; porque bebiam de uma pedra espiritual que os seguia...
A pedra era Cristo!
Entretanto, Deus não se agradou da maioria deles, razão por que ficaram prostrados no deserto.
Ora, estas coisas se tornaram exemplos para nós, a fim de que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram.
Não se tornem, pois, idólatras, como alguns deles; porquanto está escrito: O povo assentou-se para comer e beber e levantou-se para divertir-se.
Também não pratiquemos a promiscuidade, como alguns deles o fizeram, e caíram, num só dia, vinte e três mil.
Não ponhamos o Senhor à prova, como alguns deles já fizeram e pereceram pelas mordeduras das serpentes.
Nem tampouco murmuremos, como alguns deles murmuraram e foram destruídos pelo exterminador.
Ora, estas coisas lhes sobrevieram como exemplos e foram escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado.
Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia.
Não nos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejamos tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, nos proverá livramento, de sorte que a possamos suportar. Portanto, meus amados, fugi da idolatria.
                                             I Coríntios 10:1-14
Paulo nos diz que o caminho do Evangelho, que é caminho de Graça — é bondade e favor de Deus para que vençamos as tentações da jornada.
Não nos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejamos tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, nos proverá livramento, de sorte que a possamos suportar.
No entanto, Paulo também nos diz que as consequências de se querer a Graça de Deus como Graxa de Deus, são claramente demonstradas pelo caminhar do povo de Israel pelo deserto, conduzidos por Moisés.
A ênfase de Paulo é em “todos”. Todos receberam os benefícios. Todos saíram do cativeiro. Todos foram batizados tanto na chuva da nuvem [conforme o salmo] como no passar pelo mar sem se afogarem. Todos tomaram a “ceia do maná” e todos beberam da água viva que escorria da rocha. Mas a maioria deles não se fez agradável a Deus pelo seu modo de andar...
Paulo diz que os “sacramentos” da eucaristia e do batismo em nada os ajudaram, pois, a vida com Deus é feita de sacramentos de obediência e não de ritos.

Então o apóstolo adverte dizendo que houve algumas coisas no coração dos que peregrinavam pelo deserto e que são as mesmas coisas presentes em todos nós, os que caminhamos pelo chão árido desta terra de peregrinações.
Cobiçaram o que não tinham como se fosse obrigação de Deus libertá-los para uma vida de hedonismo. E faziam isto como fantasia, posto que desejassem agora os alhos e cebolas do Egito, dizendo: Como era boa a nossa vida na terra do Faraó!
Tornaram-se idolatras não por causa exclusivamente do culto ao Bezerro de Ouro, mas, sobretudo, diz Paulo, em razão de que a mente deles se tornara um altar de idolatria do prazer e do deus do imediato; posto que apenas pensassem na vida como um acontecimento de comida, bebidas e prazeres. E, segundo Paulo, este é o espírito mais sutil da idolatria: a idolatria do imediato e dos sentidos. É a tal vida feliz que só é feliz na confusão dos muitos folguedos o tempo todo. No tédio de Deus, então, devaneio...
Além disso, entregaram-se à promiscuidade, especialmente depois de pensarem que como Israel havia vencido a macumba de Balaão, agora, então, estavam livres para a promiscuidade; posto que se Deus os amava, como aparentemente demonstrara protegendo-os da “mandinga do Bruxo” — então, pensavam: “Se estamos livres da mandinga do Bruxo, estamos livres para pegar a mulher dos nossos amaldiçoadores!” Assim, agora, na confusão mental deles, a Graça era um sinal de que estariam livres para tudo. Portanto, mergulharam na promiscuidade.
Por último Paulo adverte contra o espírito de insatisfação e de murmuração, dizendo que tal espírito suscita na existência o poder do exterminador.
Assim, sem delongas, Paulo diz:
A Graça que cobre o pecado e o pecador, cobre todo pecado e todo pecador que deseje viver livre do pecado como escravidão; mas não é um documento de alforria das consequências da vida; como se por causa da Graça alguém recebesse permissão a fim de que viva como quem morra...; e, ainda assim, colham-se os frutos que somente colhem os que vivem como quem vive, segundo Deus.
Desse modo, Paulo lhes diz:
Vocês pensam que porque são de Cristo, foram libertos dos ídolos explícitos, receberam batismos, tomam a eucaristia do Corpo de Cristo e bebem da fonte da Vida — vocês ficaram imunes ao pecado?
Que nada! — diz ele.
E conclui:
Aquele que assim segue andando... crendo que  apenas porque tenha provado benefícios espirituais está livre para se entregar aos ídolos do coração: cobiça, volúpia, promiscuidade, hedonismo, alienação, auto-engano, murmuração, ingratidão, etc. — está caído no chão da vereda e não sabe.
Pode haver inflação de cultos, batismos, ritos, dízimos, ofertas, pertencimento ao grupo, etc. Mas se o coração não andar no caminho em “Graça comprometida” ante ao perdão e a libertação, esse fica no estado piorado do qual Jesus falou, sete vezes pior, e, também, põe-se no estado que Pedro descreveu como o de uma porca lavada que volta à lama.
Quanto a nós, cabe a advertência:
Aquele que julga está em pé, cuide para que não caia!
E a razão é simples:
Não nos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejamos tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, nos proverá livramento, de sorte que a possamos suportar.(…)
“Graça não é viver uma  vida de cobra, de  “enguia engraxada” .
Na Graça de Deus sem querer “engraxar os leitores!”
Bonani

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