"Malum eligendum minimum". Minha Análise entre o Ruim e o Pior.
A imagem dos candidatos cabisbaixos em um cenário nebuloso e cinzento é a minha visão do atual cenário político do Brasil.
Ter de tomar uma decisão sem neutralidade, numa configuração que faz meu estômago sentir náuseas diante de duas figuras que em absoluto não representam meus o perfil de líderes exemplares no comando de uma Nação, é um exercício sacrificial muito grande que parece estuprar a minha consciência cidadã!
Uma vez dito isto, qual será minha melhor opção diante da responsabilidade e direito do voto em um regime democrático, sabendo que qualquer que conquistar a cadeira de representante maior de uma Nação, pode trazer um cenário mais grave do que o atual?
Penso que; na decisão política, diante da escolha entre o ruim e o pior, a atitude clássica recomendada pela filosofia política é a adoção do princípio do "menor dos males" (malum eligendum minimum). Essa abordagem defende que, em cenários imperfeitos, a omissão ou a busca por uma pureza idealista podem resultar em consequências ainda mais catastróficas.
Abaixo, apresento como grandes pensadores estruturaram esse pensamento com exemplos práticos:
1. Nicolau Maquiavel e o Realismo Político
Para Maquiavel, a política não é o campo da moral ideal, mas sim da realidade como ela é (verità effettiva). No livro O Príncipe, ele argumenta que um governante prudente deve saber usar o mal se isso for necessário para manter a estabilidade do Estado e evitar o caos social (que seria o pior dos males).
* A atitude: Escolher o mal menor de forma rápida e decisiva.
* O pensamento: Se um líder precisa ser cruel para evitar uma guerra civil ou a desordem, essa crueldade pontual (o ruim) é preferível à destruição da sociedade (o pior).
2. Max Weber e a Ética da Responsabilidade
No ensaio A Política como Vocação, Weber divide a moralidade em duas: a ética da convicção (agir apenas por princípios puros, sem olhar as consequências) e a ética da responsabilidade (responder pelas consequências previsíveis de seus atos).
* A atitude: O político maduro deve adotar a ética da responsabilidade.
* O pensamento: Se um governante se recusa a negociar com um grupo corrupto (mantendo sua "pureza"), e isso faz o governo cair e gerar uma ditadura, ele foi irresponsável. Escolher a negociação espinhosa (o ruim) é o dever do político para evitar a ruína (o pior).
3. O Utilitarismo (Jeremy Bentham e John Stuart Mill)
O utilitarismo defende que a validade moral de uma ação é determinada pelas suas consequências. O objetivo deve ser sempre maximizar o bem-estar ou minimizar o sofrimento para o maior número de pessoas.
* A atitude: Calcular matematicamente os impactos de cada decisão.
* O pensamento: Diante de duas opções ruins (como racionar energia ou cortar investimentos na saúde durante uma crise), a escolha correta é aquela que preserva o maior número de vidas e o mínimo de danos estruturais a longo prazo.
4. Hannah Arendt e o Perigo do "Menor dos Males"
Arendt traz uma perspectiva crítica indispensável sobre este tema. Em suas análises sobre o totalitarismo, ela alerta que o argumento do "menor dos males" foi frequentemente usado para legitimar a cooperação com regimes terríveis.
* A atitude: Cuidado extremo para não normalizar o mal.
* O pensamento: Arendt argumenta que, ao escolher repetidamente o "ruim" para evitar o "pior", a sociedade progressivamente aceita a degradação moral. O "ruim" de hoje se torna o padrão de amanhã, pavimentando o caminho para o próprio "pior" que se tentava evitar.
Resumo da Ação Política
Para desenvolver esse pensamento na prática, a tradição política sugere que a atitude ideal envolve:
1. Prudência: Avaliar os cenários sem ilusões moralistas.
2. Responsabilidade: Assumir o peso de escolher uma opção imperfeita sabendo que a omissão (lavar as mãos) costuma abrir espaço para o pior cenário.
3. Consciência Crítica: Ter clareza de que escolher o menor dos males continua sendo a escolha de um mal, evitando celebrar a opção ruim como se fosse um bem absoluto.
Pensar bem na hora de escolher é o exercício mais equilibrado quando se trata de candidatos que oferecem, num cenário de incertezas, sem outra opção de escolha e configurando um perfil ao nível da desqualificação para o cargo pretendido é o melhor exercício de cidadania.
Bonani

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