Brasil Gospel: A Babilônia vai Cair!
Quando um pastor evangélico ataca uma senadora evangélica em rede nacional exigindo provas imediatas, o problema não é a cobrança, é o que ela ameaça revelar. Dezembro de 2025. Damaris Alves, senadora, ex-ministra, ícone da direita cristã brasileira, solta uma frase em público. A CPMI do INSS está investigando igrejas e líderes evangélicos em esquemas de fraude.
A reação foi imediata. Silas Malafaia, um dos pastores mais poderosos do país, não pediu esclarecimentos, não esperou pelo desenrolar dos trabalhos. Ele foi direto, chamou Damares de leviana, de linguaruda, de mentirosa e deu um prazo. Prove ou assuma que é irresponsável. Damares respondeu com documentos, lista completa de requerimentos da CPMI, citando igrejas, pastores, movimentos suspeitas.
E aí começa o verdadeiro jogo, porque esta luta não é sobre fraude no INSS, é sobre quem controla a narrativa evangélica no Brasil. É sobre quem pode falar em nome de Deus quando o dinheiro público está em cima da mesa. E é sobre uma engrenagem que funcionava em silêncio até alguém acender a luz. Guarda isso.
Quando os líderes do mesmo campo se atacam publicamente deste jeito, não é por princípio, é porque alguém quebrou o acordo. Vamos ao facto cru. A CPMI do INSS foi criada para investigar irregularidades bilionárias no Instituto Nacional do Seguro Social, fraudes em prestações, desvios de recursos, esquemas organizados, coisa séria, técnica, repleta de folhas de cálculo e números.
Só que a meio da investigação começaram a aparecer nomes estranhos para uma CPI sobre a segurança social, igrejas, pastores, redes de beneficiários ligados a templos, movimentos financeiros atípicas envolvendo lideranças religiosas. E Damares, que está na CPMI, disse isso em público. Agora para porque isso incomodou. Damares não é de esquerda, não é adversária da bancada evangélica, ela faz parte da estrutura, foi ministra de Bolsonaro, é senadora alinhada com o campo religioso conservador.
Quando ela fala, não é crítica externa, é alguém de dentro descrevendo o próprio sistema. E é exatamente aí que reside o problema. Porque uma coisa é a imprensa dizer que a suspeita de fraude envolvendo igrejas, depois desqualifica a fonte, fala em perseguição, desencadeia a narrativa da cristofobia. Outra coisa completamente diferente é uma senadora evangélica que faz parte do campo listar nomes, requerimentos, investigações em andamento.
Isto não é ataque externo, é fissura interno. E as fissuras internas revelam o que estava escondido. Tem outro ponto aqui que precisa de ficar claro. Quando Damares fala, ela não está a fazer denúncia, ela está a fazer um relato de trabalho parlamentar. Ela foi questionada sobre o andamento da CPMI e descreveu o que consta dos documentos oficiais, requerimentos aprovados, investigações em curso, nomes que aparecem nos processos.
Ela não inventou, ela leu. Mas no jogo do poder religioso conservador no Brasil, descrever o que está escrito já é transgressão, porque o acordo tácito sempre foi. Os problemas internos não se discutem publicamente, sobretudo quando envolvem dinheiro, especialmente quando envolvem recursos públicos. E foi este acordo que Damares, talvez sem perceber a dimensão, partiu-se.
Aí vem Malafaia e vem com tudo, não com argumento técnico, não com defesa processual, vem com ataque pessoal direto, leviana, mentirosa, linguaruda, percebe o padrão? Quando tem defesa sólida, apresenta documentos. Mostra que a acusação não procede. Você explica tecnicamente porque aquilo é equívoco ou má interpretação.
Mas quando a defesa é frágil, ataca a credibilidade de quem falou. Malafaia não disse estas investigações são infundadas. Ele disse: "Damares é irresponsável por falar disso. A diferença é brutal, porque o problema na sua visão não é a fraude, é a exposição e há mais." Malafaia deu um prazo. Prove ou será responsabilizada como se ele fosse a autoridade que julga uma senadora da República, como se a investigação de uma CPMI necessitasse de autorização dele para existir.
Esse movimento revela algo muito maior. Malafaia não está a defender igrejas de acusações falsas. Ele está a defender um sistema que opera com blindagem política. E aqui há um pormenor que quase ninguém deu por isso. A resposta de Damares foi cirúrgica. Ela não entrou no jogo emocional, não rebateu insultos com insultos, ela simplesmente divulgou a lista de requerimentos, documento oficial, assinado, protocolado, público.
Ou seja, ela provou que não estava a inventar, que não estava a ser leviana, que o trabalho da CPMI, de facto, inclui investigação sobre movimentos suspeitos envolvendo estruturas religiosas. E sabe o que aconteceu depois de ela ter apresentado os documentos? Silêncio de malafaia. Não houve retratação, não houve pedido de desculpas, não houve reconhecimento de que a senadora estava apenas a cumprir o seu papel.
O que houve foi uma mudança de estratégia. Em vez de continuar a atacar Damares, o foco mudou para desqualificar a própria investigação. Isso é clássico. Quando não consegue desmentir o mensageiro, tenta deslegitimar a mensagem e depois o discurso vira. A CPMI é perseguição, é tentativa de criminalizar a fé, é um ataque do governo contra evangélicos.
Só que há um problema nessa narrativa. Damares não é do governo. A CPMI não foi criada por Lula. E os requerimentos que citam igrejas e Os pastores foram aprovados por parlamentares de diversos partidos, inclusive da oposição. Então, não dá para transformar isso numa narrativa de perseguição política sem distorcer completamente os factos.Leia mais...
Subscrito
Bonani

Comentários
Postar um comentário
Escreva aqui seu comentário e enriqueça ainda mais o Blog com sua participação!