"O Medo da Liberdade"
O livro "O Medo da Liberdade" (1941), de Erich Fromm, é uma obra fundamental que mistura psicanálise e sociologia para explicar um paradoxo: por que o ser humano, embora lute historicamente para ser livre, muitas vezes sente o desejo de se submeter a regimes autoritários ou conformismos sociais?
Aqui está um resumo dos pontos centrais:
1. A Ambivalência da Liberdade
Fromm distingue dois tipos de liberdade:
* "Liberdade de" (Negativa): É a libertação das amarras externas (como a Igreja, o feudalismo ou ditaduras). Embora traga independência, ela deixa o indivíduo isolado, impotente e cheio de ansiedade.
* "Liberdade para" (Positiva): É a realização plena da individualidade através do amor e do trabalho criativo. É o estado onde o homem é livre e, ao mesmo tempo, sente-se conectado ao mundo.
2. O Isolamento do Indivíduo Moderno
Com o fim da Idade Média, o homem ganhou autonomia, mas perdeu a segurança dos laços tradicionais. Na sociedade capitalista moderna, o indivíduo tornou-se um "átomo" isolado em um mercado vasto e impessoal. Esse sentimento de insignificância e solidão gera um fardo psicológico insuportável: o medo da liberdade.
3. Os Mecanismos de Fuga
Para escapar da angústia da solidão e da dúvida, Fromm argumenta que o homem moderno recorre a três mecanismos de defesa:
* Autoritarismo: A pessoa busca fundir-se com algo ou alguém fora de si para ganhar a força que sente que lhe falta. Isso se manifesta no masoquismo (submeter-se a um líder/poder) ou no sadismo (dominar outros para se sentir poderoso).
* Destrutividade: Em vez de se fundir ao mundo, o indivíduo tenta destruí-lo. Se o mundo é a fonte da sua angústia e ameaça, eliminá-lo é uma forma desesperada de proteção.
* Conformismo de Autômato: É o mecanismo mais comum nas democracias modernas. O indivíduo deixa de ser ele mesmo e adota inteiramente a personalidade oferecida pelos padrões culturais. Ele pensa, sente e quer o que "todos" pensam e querem, perdendo sua essência para não se sentir sozinho.
4. Conclusão: A Alternativa Humanista
Para Fromm, a única solução saudável para o medo da liberdade não é a volta à servidão, mas a espontaneidade. Através do amor e do trabalho produtivo e autêntico, o homem pode se unir novamente aos outros e à natureza sem sacrificar sua integridade ou sua individualidade.
Bonani

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