Minha homenagem a André Rebouças



André Rebouças nasceu em 1838, na Bahia. Aos 16 anos, passou em 5º lugar (entre 114 alunos) no curso de Engenharia da Escola Militar.


Tornou-se o primeiro engenheiro negro formado no Brasil.


E construiu uma das maiores obras da engenharia brasileira: a Estrada de Ferro Curitiba-Paranaguá. 110 km de extensão. Por ordem dele, nenhuma mão de obra escrava foi usada.


Mas André não era apenas abolicionista. Ele era liberal.


Leitor de Adam Smith, Frédéric Bastiat e Jean-Baptiste Say, Rebouças entendia que abolir a escravidão não bastava. Era preciso garantir que os libertos não fossem jogados na miséria.


Sua solução? Propriedade privada.


"Ser livre e ser proprietário é o limite das aspirações do escravo neste misérrimo planeta."


André propunha reforma agrária liberal: distribuir terra aos libertos, imigrantes e pobres. Não para criar dependência do Estado, mas para criar máximo de proprietários e mínimo de proletários.


Em 1883, junto com José do Patrocínio, Joaquim Nabuco e outros, fundou a Confederação Abolicionista do Rio de Janeiro.


Joaquim Nabuco disse sobre ele:


"De todos, aquele com quem mais intimamente vivi. Nossa amizade foi a fusão de duas vidas em um só pensamento: a emancipação. A referência maior de cada um dos membros da confederação abolicionista era André Rebouças."


Rebouças não aparecia nos palcos. Não dava discursos públicos. Mas era o motor invisível do movimento abolicionista. Quem o conhecia sabia: ele era quem resolvia os problemas mais difíceis da causa.


E ele entendia algo que muitos abolicionistas não entendiam:


Abolir sem dar propriedade seria trocar escravidão por marginalização.


Por isso propunha: "É preciso dar simultaneamente ao povo instrução e trabalho. Dar instrução para que conheçam seus direitos. Dar trabalho para que possam realmente ser livres e independentes."


Rebouças via liberdade e propriedade como inseparáveis.


Após a queda da monarquia, exilou-se voluntariamente. Morreu em 1898, fora do Brasil.


Mas seu legado permanece: liberdade sem propriedade é ilusão. E propriedade é a molécula básica do progresso.

Subscrito 

Bonani

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