Pensar incomoda. Idolatrar conforta.

 


A idolatria como sintoma da falência intelectual.


A obsessão por celebridades não é um fenômeno inocente. Um estudo publicado na revista científica BMC Psychology, que analisou dados de 1.763 adultos, já indica que quanto maior a devoção não crítica a figuras públicas, pior tende a ser o desempenho em tarefas que exigem raciocínio, vocabulário e abstração. Os participantes foram avaliados por meio da Celebrity Attitude Scale, instrumento usado para medir níveis de envolvimento obsessivo, e submetidos a testes cognitivos objetivos. 


O padrão observado foi claro. Idolatria não convive com pensamento crítico. Ela o substitui.


Esse mecanismo não se limita a artistas e influencers. Ele se repete com ainda mais força na política e na religião instrumentalizada. Ídolos políticos passam a ser tratados como infalíveis, acima de fatos, leis ou contradições. Líderes messiânicos se apresentam como salvadores, ungidos, perseguidos por forças malignas imaginárias. Questioná-los vira heresia. Pensar vira pecado.


Mesmo após o controle de variáveis como idade, escolaridade, renda e autoestima, o estudo identificou uma correlação negativa persistente entre idolatria e desempenho cognitivo. Onde há idolatria, há terceirização da consciência. O indivíduo não analisa, apenas repete. Não pondera, apenas defende. Não busca a verdade, busca confirmação emocional. A figura idolatrada se torna um atalho psicológico para evitar o esforço de compreender uma realidade complexa e frustrante.


Não é por acaso que massas facilmente manipuláveis se organizam em torno de slogans, símbolos e líderes carismáticos. A devoção cega dispensa argumentos. Dispensa dados. Dispensa realidade. Ela exige apenas fé, lealdade e silêncio diante das incoerências.


A idolatria moderna não é sinal de paixão. É sinal de empobrecimento intelectual. Seja no culto a celebridades vazias, a políticos endeusados ou a líderes religiosos que usam o sagrado como ferramenta de poder, o resultado é o mesmo. Menos pensamento, mais submissão.


Pensar incomoda. Idolatrar conforta.

E muita gente prefere o conforto à lucidez.

Subscrito 


Bonani

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