Integridade: Um estilo de vida em extinção
Numa era em que fake news, viés político partidário, ideológico,religioso e outras nuances distribuídos nas redes sociais e principalmente nos editoriais jornalístico, deixo abaixo um testemunho de integridade pessoal e profissional, raro de se observar.
Segue o texto abaixo:
"Ele abandonou o emprego dos sonhos ao vivo na televisão porque se recusou a dizer algo em que não acreditava.
Em 1970, Andy Rooney deixou a CBS. Não foi por dinheiro, nem por ambição. Foi porque a emissora não permitiu que ele dissesse a verdade do jeito que a enxergava.
Rooney havia criado um documentário chamado An Essay on War, baseado em suas experiências como correspondente da Segunda Guerra Mundial. O trabalho era pessoal, direto e profundamente humano. Para os executivos da CBS, porém, era duro demais, desconfortável demais para o público. Eles pediram que o conteúdo fosse suavizado. Diante da recusa, sugeriram engavetar o material.
Andy Rooney escolheu um caminho inesperado: pediu demissão.
E foi além. Comprou os direitos do filme com o próprio dinheiro, levou o documentário para a PBS e, pela primeira vez, sentou diante das câmeras para ler seus próprios textos. O trabalho rendeu a ele um prêmio do Writers Guild.
Mas nunca foi sobre prêmios.
Durante a guerra, Rooney voou em missões de combate com tripulações de bombardeiros americanos. Viu jovens que mal tinham saído da adolescência entrarem em aviões sabendo que talvez não voltassem. Caminhou por alojamentos onde camas permaneciam arrumadas e fotos de família continuavam sobre os criados-mudos, contando histórias sem precisar de palavras.
Ele também esteve entre os primeiros jornalistas a entrar em campos de concentração nazistas após a libertação. O que viu o marcou para sempre. Seu trabalho lhe rendeu uma Bronze Star e a Air Medal.
A guerra lhe ensinou uma lição que jamais esqueceu: a verdade importa mais do que o conforto. As histórias reais não vivem em números frios, mas nos detalhes, nos rostos e nos momentos que fazem as mãos tremerem ao escrever.
Depois de deixar a CBS, Rooney passou por outras emissoras até retornar no início dos anos 1970. Em 2 de julho de 1978, ele apareceu atrás de uma mesa desorganizada no programa 60 Minutes para sua primeira participação regular.
O tema era simples: estatísticas de acidentes de carro no feriado de 4 de julho.
Parecia banal, mas era a essência de Andy Rooney. Ele enxergava significado no cotidiano, encontrava o universal no comum e o profundo nas pequenas reclamações da vida diária.
Por 33 anos, encerrou o programa jornalístico mais assistido dos Estados Unidos com comentários de três minutos que faziam rir, refletir ou se sentir desconfortável. Foram mais de mil textos até sua última aparição, em outubro de 2011.
Ele morreu um mês depois, aos 92 anos.
Andy Rooney dizia que o trabalho de um escritor é dizer a verdade. Não a verdade confortável. Nem a popular. Mas aquela que pesa no peito até ser colocada em palavras.
Foi isso que ele fez a vida inteira. Das zonas de guerra da Europa à televisão de domingo à noite, nunca deixou de questionar, insistir e lembrar que as palavras importam.
Quando disseram não, ele encontrou outro caminho. Quando pediram concessões, ele se afastou e procurou quem respeitasse sua integridade.
Seu legado vai além do rosto familiar no final do programa. É o exemplo de coragem, honestidade e compromisso absoluto com a verdade."
Subscrito
Bonani

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