Psicanalise Inconsciente e os Sintomas
O sintoma não surge por acaso nem é um erro do organismo. Ele é uma resposta inteligente do corpo a um conflito psíquico que não encontrou via de expressão consciente. Quando algo não pode ser simbolizado, elaborado ou dito, o corpo fala por meio do sintoma.
Do ponto de vista psíquico, o conflito gera tensão interna. Do ponto de vista biológico, essa tensão precisa encontrar uma saída. O sintoma surge, então, como uma tentativa de adaptação, uma solução possível naquele momento para manter o equilíbrio do sistema. Não é o problema em si, mas a resposta encontrada para sobreviver a ele.
O inconsciente não opera pela lógica racional, mas pela lógica da necessidade. Quando emoções, desejos, medos ou impulsos entram em choque com exigências internas ou externas, o corpo pode assumir a função de mediador. O sintoma organiza aquilo que o psiquismo não conseguiu integrar, transformando conflito em manifestação somática ou comportamental.
Por isso, combater apenas o sintoma sem escutar sua função tende a produzir deslocamentos. O sintoma pode mudar de forma, intensidade ou lugar, mas o conflito que o sustenta permanece ativo. A verdadeira transformação ocorre quando se compreende o sentido do sintoma, o que ele protege, evita ou expressa.
O sintoma é, paradoxalmente, um recurso de sobrevivência. Ele limita para proteger, sinaliza para evitar o colapso, chama atenção para aquilo que foi silenciado. Escutá-lo não significa se identificar com ele, mas reconhecer sua função no funcionamento psíquico.
Quando o conflito pode ser nomeado, elaborado e simbolizado, o corpo não precisa mais sustentar aquilo sozinho. O sintoma perde sua função e, muitas vezes, se dissolve. Não porque foi combatido, mas porque deixou de ser necessário.
Psicanalise Inconsciente
Bonani

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